Faesp/Senar recebe agência governamental da Coreia do Sul
Encontro tratou das diferenças e semelhanças da produção agrícola dos dois países e abriu possibilidades para eventual intercâmbio técnico

O Sistema Faesp/Senar recebeu, em sua sede, representantes da aT Center São Paulo — unidade operacional da aT Center-Korea Agro-Fisheries & Food Trade Corporation. O encontro proporcionou uma apresentação das duas entidades para a compreensão das respectivas atuações junto a produtores e mercados ligados ao agronegócio paulista e sul-coreano.
A delegação coreana foi composta por Jeong Seok Lee, diretor da aT Center, e Dahye Choi, analista de pesquisa. O Sr. Kun Young Yu, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Coreia (KOACHAM), também participou do encontro.
A aT Center é uma corporação estatal vinculada ao Ministério da Agricultura, Alimentos e Assuntos Rurais da Coreia do Sul, com atuação estratégica em polos globais como Los Angeles, Paris e Londres, focada na competitividade da indústria de alimentos.
Pelo Sistema Faesp/Senar participaram o superintendente do Senar-SP, Fábio Sergio Carrion; o assessor de Relações Internacionais, Carlos Cerri; o assessor institucional, Mario Biral; e a assessora técnica do Departamento Econômico, Erica Barros.
Segurança alimentar e crise climática
Erica Barros explicou a dinâmica de atuação da Faesp e do Senar-SP, e Jeong Seok Lee disse ter a percepção da relevância das entidades no cenário nacional, ressaltando que as decisões da entidade repercutem em todo o Brasil. O diretor explicou que a Coreia do Sul está empenhada na construção de uma rede internacional de informações sobre grãos para enfrentar a crise climática e garantir a segurança alimentar de sua população.
O interesse sul-coreano no Brasil justifica-se pela necessidade de fornecedores confiáveis para produtos com oferta limitada na Ásia, como soja e trigo. Lee pontuou que a Coreia enfrenta um acelerado envelhecimento populacional e baixa natalidade, o que torna o país dependente de tecnologia para suprir a falta de mão de obra no campo.
Oportunidades e desafios para o produtor paulista
Dentre os produtos brasileiros de interesse para o mercado coreano, foram mencionados feijão, soja e ovos. No entanto, o diretor enfatizou um requisito específico: a agência prioriza a importação de produtos não transgênicos (que não sejam geneticamente modificados).
Embora reconheça o Brasil como um gigante da produção, Lee apontou que os principais desafios para o aumento das exportações ainda residem na logística e no tempo de transporte entre os dois países. Além disso, ele detalhou o funcionamento do “Plano Safra” coreano, em que a agência oferece crédito a juros baixos, além de atuar no controle de estoques reguladores para equilibrar a oferta e a demanda interna.
Cooperação técnica e internacionalização
O superintendente do Senar-SP, Fábio Carrion, propôs que as instituições estudem parcerias de cooperação técnica, uma vez que a aT Center também atua na formação técnica de profissionais e no fortalecimento de comunidades rurais, pilares que convergem com a missão do Senar-SP.
Encerrando o encontro, Carlos Cerri solicitou que a agência coreana compartilhe informações sobre feiras agropecuárias na Coreia do Sul. O objetivo da Faesp é avaliar a viabilidade de incentivar e apoiar a participação de produtores paulistas nesses eventos internacionais, abrindo novas frentes de mercado e promovendo a excelência do agro de São Paulo no exterior.
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