Desembolso do crédito rural tem retração de 10,4% no Brasil
Apenas o Pronaf ampliou o número de operações nos nove primeiros meses do Plano Safra 2025/2026, indicando maior capilaridade entre pequenos produtores.

O desembolso de crédito rural no âmbito do Plano Safra 2025/2026 atingiu R$ 255,8 bilhões no período de julho de 2025 a março de 2026, segundo relatório do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com base nos dados do Banco Central. O montante corresponde a 63% do volume programado para a safra, desconsideradas as CPRs. Na comparação com o mesmo período da safra anterior, observa-se retração nominal de 10,4%, ao passo que o número de contratos registrou expansão de 4,6%.
No recorte por público, Pronaf e Pronamp apontaram aumentos de 1,7% e 0,6%, respectivamente, no valor desembolsado, enquanto os demais produtores apresentaram recuo de 16,5%. Ressalta-se que apenas o Pronaf ampliou o número de operações, com crescimento de 13,7%, indicando maior capilaridade do crédito entre pequenos produtores.
Quanto às finalidades, a industrialização apresentou alta, com expansão de 60,8% no montante. As demais finalidades, custeio, investimento e comercialização, registraram contração. A maior queda foi observada no investimento (-19,4%), com retração em todos os programas, à exceção do Funcafé, que teve elevação de 164,1%.
No estado de São Paulo, os desembolsos do crédito rural totalizaram R$ 25,7 bilhões, valor equivalente a 10% do total nacional. Na comparação interanual, houve retração de 4,3% no montante e uma queda mais acentuada, de 15,4%, no número de contratos.
Na segmentação por beneficiário, houve expansão dos desembolsos destinados ao Pronaf (+6%) e ao Pronamp (+12,5%), enquanto os demais produtores amargaram redução de 8%. Entretanto, em termos de número de contratos, verificou-se crescimento apenas no Pronaf (+3,8%).
No que se refere às finalidades, o crédito para investimento recuou 29%, sendo que a maior parte dos programas que o compõem apurou desempenho negativo. A exceção foi o Renovagro, com expansão de 9%, e o Pronaf, cujo valor contratado cresceu 10%. Diante desse cenário, mantêm-se as preocupações quanto à sustentabilidade do fluxo de financiamento da produção agropecuária e à capacidade de realização de investimentos.
O comportamento do crédito rural no período reflete um ambiente financeiro ainda restritivo, marcado por taxas de juros elevados e níveis persistentes de inadimplência.

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