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Créditos de Carbono: monetização de práticas sustentáveis

21 de fevereiro, 2025 - por FAESP

Ferramenta deve ser apresentada na COP30 como estratégia para desenvolvimento econômico e ambiental

Os créditos de carbono têm se tornado uma ferramenta essencial para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa, permitindo que produtores rurais monetizem práticas sustentáveis e contribuam para o combate às mudanças climáticas. No setor agropecuário, esses créditos são gerados a partir da adoção de técnicas que capturam e armazenam carbono no solo e na vegetação, como o plantio de florestas, o manejo sustentável de pastagens e a agricultura regenerativa. Com um mercado global crescente, os produtores brasileiros têm a oportunidade de se posicionar como líderes na oferta de créditos de carbono, valorizando suas práticas ambientais e agregando renda importante ao seu negócio.

O mercado de carbono é dividido em duas principais modalidades: o voluntário e o regulado. No mercado voluntário, empresas e indivíduos compram créditos de carbono de forma espontânea para compensar suas emissões, geralmente como parte de compromissos ambientais ou estratégias de sustentabilidade. Já o mercado regulado é estabelecido por governos ou organismos internacionais, impondo limites de emissões e exigindo que setores específicos compensem seus impactos através da compra de créditos.

“O crédito de carbono no setor agropecuário tem se tornado uma alternativa promissora para aliar sustentabilidade e rentabilidade no campo. Essa iniciativa não apenas contribui para a mitigação das mudanças climáticas, mas também pode gerar uma nova fonte de receita para os agricultores. No entanto, desafios como a regulamentação do mercado, a certificação das práticas sustentáveis e o acesso à informação ainda precisam ser superados para que mais produtores possam aproveitar essa oportunidade de forma eficiente. Esse será um assunto importante a ser discutido na COP30”, afirmou Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do estado de São Paulo (Faesp).

No Brasil, há discussões avançadas para regulamentar um mercado de carbono obrigatório, o que pode impulsionar investimentos em práticas sustentáveis e consolidar o país como um líder na economia de baixo carbono. É importante lembrar que o Mercado de Créditos de Carbono foi regulamentado pela Lei nº 15.042, de 12 de Dezembro de 2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio e Emissão de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Ela alterou legislações antigas que versavam sobre o assunto.

Na COP30, que será realizada no Brasil em 2025, os produtores devem apresentar os créditos de carbono como uma estratégia de desenvolvimento sustentável, destacando os benefícios econômicos e ambientais da agropecuária de baixo carbono. Para isso, é fundamental que demonstrem a rastreabilidade e credibilidade dos créditos gerados, garantindo certificações reconhecidas internacionalmente e o cumprimento de metodologias rigorosas. Além disso, a participação ativa dos produtores em debates e painéis tende a fortalecer a imagem do agro brasileiro como um setor comprometido com a redução de emissões e a adaptação às mudanças climáticas.

Outro ponto essencial na COP30 será a defesa de políticas públicas e incentivos que ampliem a participação dos agricultores, principalmente os pequenos, no mercado de carbono. A simplificação dos processos de certificação, a criação de mecanismos de financiamento para pequenos e médios produtores e a valorização de práticas sustentáveis dentro do agronegócio serão pautas estratégicas. Dessa forma, o Brasil pode consolidar-se como referência global em agricultura sustentável, aproveitando o evento para demonstrar que a produção de alimentos pode caminhar junto com a preservação ambiental e a neutralização de carbono.

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