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Agropecuária enfrenta desafios em 2026

02 de junho, 2026 - por FAESP

A alta dos insumos e seus efeitos sobre a inflação de alimentos sinalizam maior incerteza econômica

O relatório “Radar Macroeconômico”, elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp, mostra que a atividade econômica brasileira apresentou retração de 0,7% em março de 2026, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Esse resultado refletiu um cenário de desaceleração em diferentes segmentos da economia. Ainda assim, no acumulado do primeiro trimestre, o indicador registrou alta de 1,4% em relação ao mesmo período de 2025. Entre os setores avaliados, o IBC-BR da agropecuária foi o único a registrar retração no acumulado trimestral, com queda interanual de 0,5%, em meio ao aumento dos custos de produção e volatilidade internacional.

O desempenho ocorre após um período de expansão do agronegócio brasileiro. Em 2025, o PIB do setor alcançou R$ 3,2 trilhões, o equivalente a 25,13% de toda a economia nacional, segundo estimativas do Cepea e da CNA. O resultado representou crescimento anual de 12,2%, impulsionado tanto pelo aumento do volume produzido quanto pela valorização real dos preços agropecuários. O ramo agrícola avançou 3,4%, com destaque para os segmentos de insumos e produção primária, enquanto a pecuária registrou forte expansão de 32,55%, sustentada pelo desempenho da cadeia produtiva, da indústria e dos serviços ligados ao setor.

Além da retração observada no IBC-BR da agropecuária, outros indicadores econômicos evidenciam pressão sobre os custos do setor, com impactos diretos na inflação dos alimentos. Em abril, o IPCA acelerou para  0,67%, impulsionado principalmente pelo grupo de Alimentos e bebidas, que registrou alta de 1,34%. Dentro desse segmento, a alimentação no domicílio avançou 1,64% no período. Especialistas avaliam que parte dessa pressão inflacionária decorre do aumento dos custos de produção no campo, especialmente fertilizantes e combustíveis, em um contexto de instabilidade geopolítica internacional agravado pelos conflitos no Oriente Médio.

Nesse ambiente de maior incerteza, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando os juros em 14,5% ao ano. O Banco Central também sinalizou cautela na condução da política monetária diante das incertezas no cenário global.

O quadro econômico nacional ainda inclui aumento do déficit público, crescimento do endividamento das famílias e leve elevação da taxa de desocupação no primeiro trimestre de 2026. Esses e outros indicadores estão reunidos no Radar Macroeconômico da Faesp.

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