Curso resgata tradição de Salto do Pirapora
Terceira turma de Turismo Rural do Senar-SP da cidade focou em uma antiga forma de conservar carnes, muito tradicional da vida do campo de antigamente

Mais que mostrar aos alunos as técnicas de recepção e atendimento, o Curso de Turismo Rural do Senar-SP tem investido em reverberar a importância das tradições do interior paulista. Em Salto do Pirapora, área do Sindicato Rural de Sorocaba, os alunos da turma que se encerrou agora resolveram ressaltar as práticas culturais e gastronômicas dos tropeiros, como o “Porco na Lata”, uma forma de garantir uma alimentação de qualidade nas viagens em lombo de cavalos e burros nos últimos séculos.
Para o instrutor Luis Bramante, que há 20 anos atua no Senar-SP, o curso cria nos alunos a consciência das oportunidades, muitas vezes não exploradas. Além de todas as questões teóricas, ele induz a turma à prática. No caso de Salto do Pirapora, por meio do Festival “Porco na Lata”, eles recriaram essa tradição caipira. Originada como uma técnica de conservação antes da popularização da refrigeração, ela consistia em cozinhar lentamente a carne suína — geralmente lombo, pernil ou costela — e armazená-la submersa na própria gordura derretida dentro de latas ou recipientes de metal.
“Foi um evento muito emocionante, já que mostrou a força da influência tropeira e de sua história na construção do estado de São Paulo. Depois da festa foi o momento de fazer a avaliação e construir os caminhos dos então alunos que se tornarão aptos a criar seus próprios projetos pessoais. O turismo rural é importante por resgatar a autoestima da região e mostrar a força das tradições como motor de desenvolvimento econômico e social”, explicou Bramante.
Um dos cursos de Turismo Rural mais completos do país, na opinião do instrutor, ganhou ainda mais relevância com as alterações no Cadastur, do Ministério do Turismo, permitindo que o produtor rural não precise abrir um novo CNPJ para atuar no comércio e prestação de serviços voltados ao turismo. São Paulo é hoje o maior emissor de turistas no Brasil e a proposta do curso é exatamente mostrar que há muito a descobrir em termos de história, cultura, gastronomia e tradição no interior paulista. Desde fazendas históricas a comunidades tradicionais, sem contar a natureza privilegiada, com montanhas, florestas e cachoeiras, há um mundo de opções para os turistas que querem fugir da rotina urbana.
“O Cadastur está possibilitando ao produtor rural explorar novas oportunidades de trabalho e renda através do Turismo. Nosso trabalho é prepará-lo para que esteja cada vez mais capacitado a mostrar as belezas do campo”, concluiu o instrutor.
Quilombolas
No primeiro ano do curso no município, há dois anos, o curso foi realizado na comuidade do Quilombo Cafundó um dos mais significativos marcos da resistência negra no interior paulista, preservando não apenas a memória da escravidão e da luta por liberdade, mas também um patrimônio cultural único, como a língua cupópia e tradições que atravessam gerações. Sua importância para a história de São Paulo reside na continuidade viva de um território que desafia o apagamento histórico, reafirma identidades e mantém práticas comunitárias fundamentais para compreender a formação social do estado. Ao resgatar conhecimento ancestral, modos de vida e vínculos comunitários, o Quilombo Cafundó se tornou um testemunho indispensável da pluralidade cultural paulista e da força histórica das populações quilombolas. O local já recebe visitas agendadas de turistas que buscam conhecer melhor a sua cultura.
Galeria






























Compartilhe
Tags
Artigos relacionados



Deixe seu comentário