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Campo Futuro analisa custos da cafeicultura paulista e aponta forte pressão sobre margens em Caconde e Franca

27 de abril, 2026 - por FAESP/SENAR-SP

Painéis realizados pelo projeto da CNA, com apoio do Sistema Faesp/Senar, indicam margens positivas, porém mais estreitas diante da alta de insumos e da queda nos preços do café

Técnicos do projeto Campo Futuro, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Sistema Faesp/Senar e Sindicatos Rurais, realizaram, na última semana, painéis de levantamento de custos da produção de café nos municípios de Caconde e Franca, importantes polos da cafeicultura paulista.

Em Caconde, o estudo considerou uma propriedade típica de 5 hectares, com produtividade média estimada em 39 sacas por hectare, cultivo não irrigado e manejo manual – um aumento de 39% no rendimento das lavouras em relação ao levantamento anterior. Os dados apontaram aumento no Custo Operacional Efetivo (COE), por hectare, de 12% em comparação ao período anterior, impulsionado principalmente pela elevação dos preços dos fertilizantes. Apesar de a atividade ainda apresentar margens positivas, sustentadas pelo incremento de produtividade, houve redução média de 30% em relação ao ano passado, refletindo tanto o avanço dos custos variáveis quanto a queda nos preços do café após os recordes registrados no último ciclo.

Já em Franca, a propriedade modal analisada possui 50 hectares de área produtiva, com sistema não irrigado e manejo mecanizado. As condições climáticas favoráveis contribuíram para uma recuperação da produtividade, estimada em 35 sacas por hectare, aumento de 32% em comparação ao levantamento realizado na safra passada. O COE, por hectare, referente aos desembolsos diretos com a atividade, registrou alta de 16% em relação a 2025. Outro fator relevante na região é a valorização das terras agrícolas, que eleva o capital imobilizado e exige margens maiores para garantir a rentabilidade.

A trajetória de queda dos preços do café, aliada à elevação dos custos de condução da lavoura e das operações de colheita, impactarou negativamente a receita projetada em Franca. Como resultado, as margens permaneceram positivas, sustentadas pela recuperação da produtividade após um ciclo anterior marcado por queda acentuada, porém registraram retração superior a 30%.

Os levantamentos indicam que a cafeicultura paulista segue viável no curto prazo, cobrindo os custos diretos de produção. No entanto, o cenário de custos elevados e preços em queda reforça a importância de ganhos de produtividade, eficiência operacional e gestão estratégica como fatores essenciais para a sustentabilidade da atividade, eixos centrais do projeto Campo Futuro.

Nesse contexto, os resultados dos painéis de custos do projeto Campo Futuro consolidam sua importância ao disponibilizar informações técnicas essenciais para orientar o planejamento produtivo, qualificar a gestão no campo e subsidiar a atuação institucional das entidades na defesa de políticas públicas mais aderentes à realidade do agro.

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