Prefeitura e sindicato rural colocam Bofete como destaque no agro paulista
O município esteve entre as cidades certificadas pelas boas práticas de gestão no campo e o Sindicato Rural de Pardinho teve importante participação nessa conquista

Este ano o município de Bofete vem colhendo os resultados de uma conquista significativa para o desenvolvimento rural e a gestão pública. Na edição de 2025 do Prêmio Município Agro Paulista, a cidade alcançou a 22ª posição no ranking do Grupo 3, (com PIB entre R$ 30 mil e R$ 500 mil) como referência em políticas voltadas ao agronegócio sustentável. Como reconhecimento pelo desempenho e pelas boas práticas implementadas no campo, o município recebeu uma premiação no valor de R$ 50 mil.
Realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o prêmio visa incentivar as prefeituras a adotarem agendas estratégicas que fortaleçam a produtividade, a sustentabilidade e a inovação no setor agrícola. O recurso destinado a Bofete será fundamental para dar continuidade aos projetos locais. Esses valores são habitualmente revertidos em melhorias diretas para o setor, como manutenção e conservação de estradas rurais, apoio técnico a pequenos e médios produtores, ações de preservação ambiental e conservação de solo e modernização das estruturas de atendimento ao produtor.
“Esse reconhecimento mostra que o trabalho desenvolvido pela administração municipal está trazendo resultados positivos para o fortalecimento do setor agropecuário”, diz Aline de Oliveira Albuquerque, diretora de Agricultura de Bofete. Para ela, a posição da cidade no ranking valoriza as ações voltadas ao setor rural e incentiva o município a continuar fortalecendo ainda mais a agricultura e o reconhecimento da importância dos produtores no desenvolvimento da região.
Aline menciona que o diálogo entre a prefeitura e os produtores rurais, e a parceria com instituições locais ligadas ao agro, foi determinante para tornar Bofete uma referência no estado de São Paulo. Dentre essas iniciativas, ela cita os cursos do Senar-SP. “Os cursos tiveram papel fundamental no desenvolvimento de Bofete, contribuindo na qualificação dos produtores trabalhadores rurais e jovens do município”, diz. Ela destaca os cursos de turismo rural, de combate a incêndios, e o Programa Jovem Empreendedor do Agro como alguns dos que mais impactaram os produtores locais.
Mas há outras iniciativas do Sindicato Rural de Pardinho que estão impulsionando a agricultura na cidade. É o caso da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). O Sindicato Rural de Pardinho é que atua em Bofete e leva aos produtores os conteúdos de Formação Profissional do Senar, incluindo a ATeG, uma formação profissional mais aprofundada, com acompanhamento durante dois anos. “Fizemos um extenso trabalho para atender à demanda dos produtores quanto aos cursos de capacitação, principalmente voltados a hortifrutis”, diz a presidente do sindicato, Daniela Pelosini. “Os produtores demonstram uma vontade muito grande de participar. Sempre houve muito apoio da prefeitura, disponibilizando ônibus para eles poderem vir a Pardinho para participar das aulas. Foi um trabalho nosso bastante assertivo que ajudou a alavancar esse aspecto da cidade para alcançar a posição no ranking”, afirma.
Fátima Ramiro Pinto, produtora de hortifrutis, há quatro anos adquiriu um lote em Bofete para trabalhar na agricultura. Há dois anos ela se mudou em definitivo para a propriedade e já começou a ser atendida pela ATeG por meio do Sindicato Rural de Pardinho. “Aqui em Bofete tem a Casa da Agricultura, que ajuda quando a gente precisa de alguma coisa. Mas quando chegou o Senar com a Assistência Técnica, minha propriedade mudou muito”, ela diz. “Ensinam desde o berço da planta até a colheita. E a parte da comercialização também. Aprendi a entender quanto custa produzir cada pé de alface, um pé de mandioca, e nessa parte foi fundamental. Com o Senar-SP eu aprendi de fato o que é plantar, aprendi o manejo, pulverizações… A gente não sabia nem o que pulverizar e a hora de pulverizar, ou a hora de dar uma cobertura para a planta, ou o que aplicar”, conta Fátima, ressaltando que lamenta que o atendimento pela ATeG esteja próximo de terminar, mas que em seguida participará de outros curtos oferecidos pelo sindicato rural.
Carlos Visnoveski Filho participou do Programa de Olericultura Orgânica do Senar-SP e está participando da ATeG voltada à olericultura. Ele explica que vem sendo um aprendizado bastante minucioso. Em sua propriedade toda a produção de hortifrutis passou a ser orgânica a partir dos cursos do Senar dos quais ele participou, de acordo com a demanda: alface, abobrinha, pepino, vagem, maracujá, chuchu, mandioca e banana. “Um diferencial que eu destaco é a atenção em trabalhar com o monitoramento contínuo, para proteger a plantação de modo preventivo. Porque antes trabalhávamos apenas com a correção após identificar o problema”, diz. Ele explica que com o Senar-SP ele dá exemplos do que descobriu sobre o manejo para o controle biológico de pragas com o emprego de microvespa e crisopídeo ou do uso de produtos em conjunto em vez de utilizar cada produto separadamente. “Economiza tempo e mão de obra, favorecendo o aumento de produtividade”, completa.
Sobre a posição de Bofete no prêmio, ele reconhece que foi merecido como resultado do trabalho da prefeitura e do Sindicato Rural de Pardinho junto aos produtores. “A Casa da Agricultura nos dá o apoio que precisamos, sempre fomos muito bem atendidos. Existe um bom relacionamento em relação a atendimento técnico e a serviço de maquinário. E o sindicato nos acolheu, mesmo sendo de outra cidade, trazendo muito conhecimento importante, em especial com a ATeG, em que o técnico dá apoio na visita mensal ou a qualquer hora que precisarmos”, complementa.
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