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Ano começa com sinais trocados na economia, penalizando agro

25 de fevereiro, 2025 - por FAESP

Por Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)

O ano de 2025 começa com incertezas para o setor agropecuário brasileiro, diante das declarações do governo sobre taxação das exportações agrícolas. O agronegócio, que há anos é um dos principais responsáveis pelo superávit da balança comercial, enfrenta desafios como a alta nos custos de produção, baixos preços das commodities e pressões ambientais. A medida proposta levanta preocupações sobre os impactos na competitividade do setor e no crescimento econômico do país. Esses sinais trocados do governo federal, que penalizam o setor que produz, mostram a falta de conexão com a realidade do homem do campo.

A taxação das exportações pode gerar efeito contrário ao esperado, reduzindo a rentabilidade dos produtores e desestimulando investimentos no campo. O Brasil consolidou-se como um dos maiores exportadores de grãos e carnes do mundo, e qualquer política que onere o setor pode prejudicar sua posição no mercado global. Hoje o país responde por cerca de 10% de toda a produção de alimentos, garantindo a segurança alimentar não apenas dos brasileiros, mas de parte expressiva da população mundial. A insegurança gerada por essa proposta também pode afetar a confiança dos investidores e comprometer a expansão da produção.

Além disso, o agronegócio já opera com margens reduzidas ou negativas, pelos aos altos custos de insumos como fertilizantes, combustíveis, defensivos agrícolas e energia. Novas taxações podem reduzir ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros, favorecendo concorrentes de outros países que oferecem condições mais favoráveis. Isso pode resultar em uma perda de mercado e em menor entrada de divisas no país. O governo já cortou recursos do Seguro Rural no início do ano e mudou as regras do Fundo de Investimento Agropecuário (Fiagro), ferramentas importantes para garantir a segurança dos produtores e recursos para a melhoria contínua da produção.

Outro ponto de preocupação é o impacto da medida na geração de empregos e na economia das regiões agrícolas. O agronegócio é um dos principais motores da economia brasileira, empregando milhões de pessoas direta e indiretamente. Qualquer ação que reduza o nível de atividade do setor pode levar a cortes de postos de trabalho e a uma desaceleração econômica em diversas regiões do país. Com o impacto dessas medidas nas áreas rurais, pode-se ver não apenas a diminuição da produção, mas também a aglomeração de pessoas nos grandes centros em busca de opções de trabalho.

Diante desse cenário, o setor produtivo tem manifestado, com grande ênfase, oposição à proposta e defende um diálogo mais aprofundado com o governo. Especialistas apontam que soluções alternativas, como incentivos à produção, redução de tributos e melhorias na infraestrutura logística, poderiam gerar benefícios para o país. A previsibilidade e a estabilidade regulatória são fundamentais para garantir a continuidade do crescimento do setor.

Um plano de médio prazo, nos moldes da Farm Bill americana, com recursos definidos e programas específicos, livres de contingenciamento, seria a melhor forma de garantir a continuidade das políticas públicas. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), assim como as demais federações, tem trabalhado com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no sentido de conscientizar o governo sobre os riscos das medidas veiculadas.

É essencial que o governo avalie os impactos dessa possível taxação antes de implementá-la. Medidas que afetem a principal fonte de superávit da balança comercial podem ter consequências indesejadas para a economia brasileira. Equilíbrio fiscal, melhoria do ambiente de negócios e incentivos à produção devem ser buscados para garantir que o agronegócio continue contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

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