Reunião em Palmital orienta produtores sobre renegociação de dívidas rurais
O encontro reuniu lideranças locais, técnicos da Faesp e do Banco do Brasil

Produtores rurais de milho e soja participaram, no dia 25 de fevereiro, de uma reunião estratégica na sede do Sindicato Rural de Palmital para tratar das alternativas de renegociação de financiamentos junto ao Banco do Brasil. O encontro foi realizado pelo sindicato e contou com o apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com participação de lideranças regionais e representantes da instituição financeira.
Diante de um cenário marcado por perdas expressivas de produtividade e queda nos preços das commodities, os produtores relataram preocupação com a dificuldade de honrar parcelas de custeio e investimento. Na região de Assis, a produtividade da soja recuou 51,6% entre 2023 e 2024, enquanto o milho registrou queda de 9% no mesmo período. No mercado, os preços reais da soja e do milho acumulam retração de 37,2% e 41,6%, respectivamente, entre 2021 e 2025, agravando o impacto sobre o fluxo de caixa das propriedades.
Técnicos do Departamento Econômico da Faesp apresentaram orientações sobre condições, prazos, procedimentos e documentação necessários para formalização de pedidos de prorrogação de dívidas. Representantes do Banco do Brasil esclareceram dúvidas e reforçaram a importância da apresentação de laudo de vistoria e demonstrativo de capacidade de pagamento para embasar a análise das operações.
Entre os pontos debatidos estiveram a manutenção das garantias originais, as preocupações com a alienação fiduciária, os reflexos da prorrogação sobre o limite de crédito e as dificuldades enfrentadas nas renegociações com recursos não controlados, cujas taxas de juros têm girado em torno de 20%. Alguns pontos importantes foram levantados, com base no Manual de Crédito Rural (MCR 2.6.4), sobre o contexto em que produtores podem pleitear a prorrogação de contratos sem ficarem mais prejudicados na relação com o banco, como por exemplo quando for comprovada a incapacidade de pagamento por quebra de safra devido a problemas climáticos e preços abaixo dos custos de produção.
A atuação da Faesp e do Sindicato Rural de Palmital foi fundamental para aproximar produtores e instituição financeira. Na condução do encontro, o presidente do sindicato, Gilberto Frandsen reforçou o compromisso da entidade, com o apoio da Faesp, em estabelecer um canal permanente de comunicação e parceria com o Banco do Brasil, oferecendo suporte técnico e institucional aos produtores na busca por soluções viáveis e dentro da legalidade.
Participaram também do encontro o vice-presidente da Faesp e presidente do sindicato rural de Ourinhos, Eduardo Luiz Bicudo Ferraro; representantes da Coopermota, da Cocamar, da Aprosoja SP, da CATI Regional Assis, da Prefeitura Municipal, da Associação do Plantio Direto do Estado de São Paulo, da Assocana e de Sindicatos Rurais da região (Santa Cruz do Rio Pardo, Cândido Mota e Paraguaçu Paulista).
Para o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, o crescimento da inadimplência é um acontecimento que não é desejado por nenhum dos lados desta relação financeira. “A iniciativa deste encontro demonstra a importância da articulação entre sindicatos rurais, federação e agentes financeiros na construção de alternativas que garantam segurança jurídica, acesso à informação qualificada e condições para que os produtores superem o momento adverso, preservando a continuidade das atividades no campo”, diz.
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