Governança hídrica e conservação do solo pautam Fórum de Sustentabilidade da Faesp
Evento reuniu especialistas, produtores rurais e lideranças do agro para debater planejamento, gestão dos recursos hídricos e o papel estratégico do campo na preservação ambiental

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), por meio de seu Departamento de Sustentabilidade, promoveu mais uma edição do Fórum de Sustentabilidade com foco na governança, no planejamento e na sustentabilidade dos recursos hídricos, reunindo especialistas, representantes de comitês de bacias hidrográficas, sindicatos rurais e lideranças do setor agropecuário. O encontro destacou a importância do produtor rural na conservação do solo, na recuperação ambiental e na proteção das nascentes e mananciais que garantem o abastecimento hídrico e a produção de alimentos.
Laura Stela Naliato Perez, representante da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), discorreu sobre o a estrutura organizacional do Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos – SIGRH do Estado de São Paulo, formado pelas instâncias de decisão (Conselho Estadual de Recursos Hídricos e 22 comitês de bacia hidrográfica) e de suporte técnico (grupos de trabalho e câmaras técnicas) e financeiro (FEHIDRO). Destacou os principais instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos . Adicionalmente, foram apresentados os instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos, com ênfase no Plano Estadual de Recursos Hídricos, nos Planos de Bacia Hidrográfica e na cobrança pelo uso da água. Denis Silva e Sérgio Razera, apresentaram a estrutura organizacional do Comitê de Bacias PCJ, comitê federal, e suas principais políticas, programas e projetos, com destaque para a Política de Recuperação, Conservação e Proteção dos Mananciais, com investimento da ordem de R$ 20 milhões em ações de proteção dos mananciais das bacias PCJ.
O presidente do Sindicato Rural de Santa Cruz do Rio Pardo e da Comissão de Meio Ambiente da Faesp, Antonio Consalter, falou sobre a atuação dos sindicatos rurais junto aos Comitês de Bacia, destacando sua experiência como membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paranapanema.
As discussões também abordaram os desafios provocados pelos eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas e enchentes urbanas, reforçando a importância de políticas integradas entre campo e cidade. Especialistas alertaram que a gestão eficiente da água depende de planejamento de longo prazo, investimentos em infraestrutura hídrica e ações coordenadas entre produtores rurais, poder público e sociedade civil.
Durante os debates, os participantes ressaltaram que a preservação da água começa diretamente no campo, por meio de práticas de manejo sustentável, conservação do solo, recuperação de áreas degradadas e proteção das matas ciliares. enfatizaram que ações como terraceamento, plantio direto, retenção de água no solo e recuperação de nascentes contribuem para ampliar a infiltração da água da chuva, reduzir processos erosivos e garantir maior segurança hídrica para toda a sociedade.

O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, que abriu o evento, destacou que o agro brasileiro exerce papel essencial na preservação ambiental e precisa ser reconhecido como parte fundamental das soluções relacionadas às mudanças climáticas e à gestão da água. “O produtor rural é um verdadeiro guardião dos recursos naturais. Quando o campo investe em conservação do solo, proteção de nascentes e boas práticas ambientais, toda a sociedade é beneficiada. Precisamos fortalecer políticas públicas que valorizem quem preserva e produz com responsabilidade”, afirmou.
Outro ponto debatido no fórum foi a necessidade de ampliar a participação do setor agropecuário nas decisões sobre governança e nos programas de financiamento para conservação hídrica. Os participantes defenderam maior acesso dos produtores rurais aos recursos dos comitês de bacia e fundos estaduais voltados a projetos de conservação, recuperação de áreas produtoras de água e controle de erosão rural.
“A participação dos produtores rurais nos comitês de bacia é vital para contribuir nas discussões. O grande problema é que, por serem minoria na composição, acabam sendo voto vencido e vão se afastando do processo. Mas é muito importante, e nesse caso a Faesp tem papel importante, na ajuda no desenvolvimento de projetos que levem recursos para o meio rural”, explicou Consalter.
Ao final do encontro, a Faesp reforçou o compromisso de continuar promovendo debates técnicos e estratégicos voltados à sustentabilidade no agro paulista. A entidade também destacou a importância de fortalecer a capacitação dos sindicatos rurais e ampliar a elaboração de projetos ambientais que contribuam para a segurança hídrica, a produção sustentável e a preservação dos recursos naturais no estado de São Paulo, pioneiro nessa política.











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