Faesp destaca papel do produtor na transição para uma pecuária ainda mais sustentável
A sustentabilidade ambiental e econômica foi o centro do debate realizado em parceria com a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável realizaram evento em formato remoto “Diálogo Inclusivo – Sustentabilidade na Pecuária: como produzir mais e melhor frente às novas exigências do mercado internacional”. A iniciativa do evento é de debater como os produtores rurais podem adotar práticas sustentáveis para otimizar a produção, reduzir custos e agregar valor à carne brasileira, garantindo conformidade com novas regulamentações, como o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
A abertura do evento ficou a cargo de Michelle Borges, gerente executiva da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável. Thiago Rocha, assessor técnico da Faesp, foi o moderador do debate que teve a participação de João Paulo Franco, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste; e o produtor Wander Bastos, da Pecuária WFB, que é também coordenador adjunto da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da Faesp e presidente do Sindicato Rural de Cruzeiro.
O uso correto do solo, com melhoria na qualidade da dieta dos animais por meio do uso de gramíneas e leguminosas, foi um ponto explorado pela pesquisadora da Embrapa, Patrícia Oliveira. Ela diz que essa medida resulta em menor emissão de metano, que é um tópico criticado na pecuária. Além disso, a recuperação de pastagens e a intensificação da produção de bovinos em áreas degradadas melhoram o sequestro de carbono. “Melhorando a dieta do animal, melhorando o solo e pastagem, é possível mudar a qualidade da carne e o rendimento de carcaça. O resultado ambiental depende também do retorno econômico para o produtor, pois é isso que irá permitir que ele invista em sustentabilidade”, afirmou a pesquisadora.
João Paulo Franco, coordenador de Produção Animal da CNA, destacou a produção brasileira como líder em exportações e vice-líder em volume. Ele apontou a necessidade de uma mudança de cultura do sistema produtivo brasileiro. “A dimensão do negócio pecuário no Brasil já demonstra sustentabilidade. Trazer tecnologia para dentro da porteira é necessário, mas precisa que o produtor esteja aberto para utilizar esse conhecimento. Porque não é fácil fazer a integração entre lavoura e a pecuária, é necessário a continua capacitação e acompanhamento técnico, além de investimentos”, disse João Paulo. Ele mencionou ainda que no Brasil ocorre o aumento dos rebanhos sem aumentar a área de pastagem, o que por si só já demonstra a sustentabilidade ambiental. Quanto ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), o coordenador da CNA apontou que as necessidades de mercado irão definir o quanto as regras serão exigentes ou se poderão ser flexibilizadas. “É natural que nem todo produtor consiga se adequar à EUDR. Haverá produtores que toparão o desafio de investirem para adequações à norma posta e certamente terão retorno financeiro disso.”, completou.
Wander Bastos afirmou que o produtor que conseguir equilibrar questão ambiental e econômica vai aumentar em eficiência e ganhar espaço no mercado. Ele apresentou as diversas ações do Sindicato Rural de Cruzeiro em relação a recuperação de áreas degradadas, restauração de florestas e proteção de mananciais em propriedades rurais da região – ações que revertem em benefícios dos produtores. “Quem investiu no solo teve resultado. Toda mudança requer investimento, e o produtor está descapitalizado. Por isso precisa se informar a respeito de incentivos fiscais e recursos públicos ou linhas de crédito para recuperar áreas degradadas”, finalizou.
O evento, que teve também como parceira a Fundação Solidaridad, está inserido no Projeto SAFE, que faz parte da Iniciativa Time Europa sobre Cadeias de Valor Livres de Desmatamento, financiada principalmente pela UE, Alemanha, Países Baixos e França, além de outros estados-membros da UE.
Para aqueles que não tiveram a oportunidade de acompanhar ao vivo, evento encontra-se disponível no Youtube: https://youtu.be/Ne0zSUXmw30
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