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Dia Internacional do Café: produtores sem motivos para comemorações

01 de outubro, 2018 - por FAESP/SENAR-SP

Instituído pela Organização Internacional do Café (OIC), o Dia Internacional do Café é celebrado, anualmente, em 1º de outubro. A data é considerada uma celebração da diversidade, qualidade e pujança da economia nacional. Presente em território nacional há quase 300 anos, o café foi responsável pelo processo de industrialização e modernização do país, gerando, atualmente, mais de oito milhões de empregos na cadeia produtiva e movimentando, como Valor Bruto de Produção, R$ 24,3 bilhões neste ano.

No entanto, produtores paulistas não vêm razões para comemorações da data. “A cafeicultura brasileira atravessa um momento muito difícil, já que os preços do café se encontram abaixo dos custos de produção”. A afirmação é do Coordenador da Comissão de Cafeicultura da FAESP, Guilherme Salomão Vicentini. “São preços totalmente aquém da realidade, a alta do preço do dólar acarreta aumento no preço dos fertilizantes, diesel e inviabiliza a produção. Faltam políticas públicas de amparo ao cafeicultor.”

Também cafeicultor, o Presidente da FAESP, Fábio Meirelles destaca ser necessário investir mais em qualidade e programas de sustentabilidade, elevar a produtividade e aprimorar a qualidade do produto para obter maior margem de comercialização e sustentar o mercado nacional e internacional. “Em contrapartida, o Governo deve estabelecer políticas consistentes e o produtor, este abnegado cidadão, receber o merecido reconhecimento que lhe é devido.”

A safra de café do Brasil em 2018 foi estimada em recorde de 59,9 milhões de sacas de 60 kg. A colheita supera com folga o último ano de bienalidade positiva do Brasil, em 2016, quando a colheita total somou 51,37 milhões de sacas.

Para evitar prejuízos maiores, a OIC aprovou propostas como o desenvolvimento de um plano de comunicação global voltado aos consumidores, contemplando a realidade econômica do setor cafeeiro (do produtor ao consumidor final). Também está prevista a intensificação do diálogo entre os diferentes elos da cadeia produtiva e o intercâmbio de iniciativas nacionais de políticas públicas que promovam a sustentabilidade, assim como a inclusão da promoção do consumo como diretriz de todos planos de ação da entidade.

Saiba Mais

O Brasil é a maior nação cafeeira do mundo, liderando os rankings internacionais de produção e consumo, além de ser o segundo maior consumidor do planeta. Em 2018, os brasileiros deverão produzir 59,9 milhões de sacas de 60 kg. A exportação do produto é projetada em 35 milhões de sacas e o consumo interno em 22 milhões de sacas.

A queda dos preços pagos aos cafeicultores no mercado mundial foi o principal tema da 122ª Sessão do Conselho da Organização Internacional do Café (OIC), realizada na sede da entidade, em Londres. O secretário de Política Agrícola, Wilson Vaz de Araújo, que representou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na reunião, disse que os níveis de preços recebidos pelos produtores têm caído nos últimos dois anos, ficando muitas vezes abaixo dos custos de produção em alguns países, o que compromete a sustentabilidade econômica da produção nesses locais.

Com a queda do preço do café no mercado internacional, alguns países exportadores defenderam que seja estipulado um preço mínimo para a saca que cubra ao menos os gastos com a produção. O preço da saca caiu 15% em agosto, na comparação com o mês passado, para US$ 138, na média.

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