Começo do ano com juros mais elevados não é bom para o agro
Fábio de Salles Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), preocupa-se com a estimativa do mercado de que a Selic, depois de quase cinco anos desde 2017, volte a se igualar ou a superar 10%, a partir da reunião do Copom desta semana, que se encerrará na quarta-feira (2/02). “Para os produtores rurais que precisem recorrer ao mercado financeiro para obter crédito destinado ao custeio das lavouras, colheita, insumos e implementos, o custo do dinheiro será mais elevado, como já aconteceu em 2021, principalmente no segundo semestre.”
O presidente da FAESP diz entender a intenção das autoridades econômicas de buscar conter a inflação. Entretanto, questiona se a elevação da taxa básica, que se reflete em níveis muito superiores na concessão de crédito pelas instituições financeiras, seria o único instrumento disponível de estratégia monetária. “Parece que está sendo aplicado um remédio cujo efeito mostra-se quase inócuo contra a inflação, devido aos componentes externos, a despeito da escalada da Selic, que chegou a 9,25% ao ano.”
Para Meirelles, os danos da taxa alta na economia nacional, cujo crescimento segue pífio, e seus atuais efeitos no controle inflacionário constituem uma equação cuja relação custo-benefício não é boa para o País. “Depois de um certo patamar, os juros podem deixar sequelas recessivas duradouras. O agronegócio é um exemplo: taxas de juros mais altas elevam o custo de produção, dificultam os investimentos, pressionam os preços e podem impactar a oferta futura de produtos, implicando ainda mais as taxas de inflação.”
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