Campo mais seguro começa pela prevenção: Faesp anuncia curso inédito sobre NR-1
Palestra do ministro Breno Medeiros reúne lideranças rurais e reforça a urgência de adaptar saúde, segurança e relações de trabalho à nova realidade do campo

Na manhã desta terça-feira (05), o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Ouvidor-Geral da Justiça do Trabalho, Breno Medeiros, participou de uma palestra voltada a presidentes de sindicatos rurais e produtores, promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), reforçando a importância da saúde e segurança no trabalho no campo. Durante o encontro foi anunciada a criação de um curso específico sobre a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), direcionado a lideranças sindicais e produtores rurais, com o objetivo de ampliar a conscientização e aprimorar práticas preventivas no setor.
Na abertura, o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, lembrou que representantes de todas as regiões do estado de São Paulo estavam presentes, simbolizando a importância do tema para o homem do campo. Com uma dinâmica diferenciada, já que, na grande maioria das propriedades, o trabalho diário é feito pela família, além de poucos trabalhadores contratados, há uma necessidade de se conhecer a norma, que entrará em vigor no dia 26 de Maio, e adequá-la ao dia a dia dos produtores rurais.
“A qualidade das relações de trabalho sempre foi um tema caro à Faesp. Um exemplo disso foi o primeiro acordo coletivo aqui na capital paulista, uma ação da Federação, referendando o processo junto ao Tribunal Superior do Trabalho. Foi o primeiro acordo, o nosso presidente que era juiz, foi juiz classista, o Henrique Meirelles Severino, que é o nosso presidente do sindicato de Patrocínio Paulista. Então, realmente, nós temos, ministro, a noção e a responsabilidade dos deveres e dos direitos no processo trabalhista”, frisou Meirelles.
Em sua exposição, o ministro destacou que o principal desafio na aplicação da NR-1 no meio rural é consolidar uma cultura de prevenção. Segundo ele, acidentes de trabalho e doenças ocupacionais impactam diretamente a produtividade e a dignidade do trabalhador, além de gerar prejuízos sociais e econômicos. “A ideia é construir um ambiente de cooperação entre empregadores e trabalhadores, onde todos estejam comprometidos com a saúde e a segurança”, afirmou, ressaltando também o avanço das discussões sobre saúde mental, hoje uma das principais causas de afastamento do trabalho no país.
Outro ponto enfatizado foi a relevância do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) na rotina do campo. Medeiros explicou que a adoção de novas tecnologias e práticas produtivas exige avaliação constante dos riscos envolvidos, desde o uso de máquinas agrícolas até o manejo de animais e as relações interpessoais no ambiente rural. “Pequenas mudanças podem evitar acidentes e melhorar significativamente a qualidade de vida no trabalho”, destacou.
O ministro também abordou o nível de conscientização no setor, apontando que ainda há resistência à mudança em razão de práticas tradicionais. No entanto, ele ressaltou que o cenário vem se transformando com o acesso à informação e a novas demandas das gerações mais jovens. Nesse contexto, defendeu o diálogo permanente entre empregadores e trabalhadores como ferramenta essencial para adaptação às novas exigências de segurança e bem-estar.
Ao tratar do papel institucional do TST, Medeiros reforçou que a atuação da Justiça do Trabalho vai além da fiscalização. Segundo ele, a NR-1 deve ser compreendida como um instrumento de orientação e apoio, especialmente aos pequenos produtores rurais, contribuindo para a construção de um ambiente mais seguro e juridicamente estável. O magistrado chamou atenção para o crescimento dos casos de burnout, caracterizado pelo esgotamento físico e mental, inclusive no meio rural. Ele defendeu uma mudança de mentalidade nas relações de trabalho, com mais equilíbrio, respeito às individualidades e valorização do bem-estar psicológico dos trabalhadores. “Cuidar da saúde mental é uma questão de cidadania e deve fazer parte da rotina de qualquer atividade produtiva”, concluiu.
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