Agropecuária brasileira mantém trajetória de crescimento no emprego formal

A agropecuária brasileira encerrou o mês de fevereiro de 2026 com um saldo positivo de 8.123 postos de trabalho, consolidando um estoque nacional de 1,87 milhão de profissionais formalizados. Dentro deste cenário, o estado de São Paulo reafirma sua relevância ao concentrar cerca de 341 mil desses empregos formais, o que representa aproximadamente 18% de toda a mão de obra rural do país.
O setor em São Paulo enfrentou flutuações sazonais típicas, registrando um saldo negativo de 4,3 mil vagas no mês, influenciado principalmente pelo fim da colheita da laranja, que resultou no fechamento de 3.589 postos. Em contrapartida, o cultivo de cana-de-açúcar criou 920 novas vagas.
No comparativo anual, o relatório da FAESP aponta que as 18 mil contratações da agropecuária paulista em fevereiro representam uma queda de 25,5% frente ao mesmo mês de 2025, sinalizando que, embora o setor continue contratando, há desafios estruturais e econômicos que impactam o ritmo de expansão do mercado de trabalho rural, como a alta nos desligamentos, que somaram 22,4 mil no período.
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), Tirso Meirelles, o potencial de geração de empregos nas fazendas paulistas é vasto, mas esbarra na carência de capacitação técnica. “As propriedades rurais paulistas possuem uma capacidade produtiva imensa e poderiam gerar muito mais empregos se tivéssemos uma oferta maior de mão de obra qualificada e incentivos reais para fixar os jovens no campo. A modernização do agro exige profissionais preparados para as novas tecnologias. Precisamos fortalecer a sucessão familiar e a formação profissional para garantir que o interior continue sendo um motor de oportunidades, evitando o êxodo rural e garantindo a sustentabilidade do nosso setor”, afirma Meirelles.
A FAESP destaca que a busca por eficiência e a manutenção do estoque de empregos dependem de políticas que unam o apoio financeiro ao produtor — que hoje enfrenta um cenário de crédito restritivo — com programas de ensino voltados às demandas reais da produção moderna. O setor segue como um dos pilares da economia paulista, mas a federação alerta que a continuidade desse protagonismo exige olhar atento à profissionalização da nova geração de produtores e trabalhadores rurais.

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