Acelga ganha papel estratégico na alimentação
Hortaliça, principal componente do kimchi, prato típico da Coreia do Sul, une as duas culturas e pode ser um elemento nas comemorações nos jogos do Brasil e da seleção asiática

A acelga, hortaliça de origem asiática cada vez mais presente na mesa dos brasileiros, consolidou-se como uma importante cultura do cinturão verde de São Paulo. Produzida principalmente em municípios como Ibiúna, Piedade e Cotia, a verdura tem abastecimento constante ao maior entreposto de alimentos da América Latina, o Entreposto Terminal São Paulo da Ceagesp, desempenhando papel relevante na segurança alimentar da Região Metropolitana e de diversas cidades do estado.
Reconhecida pelo alto valor nutricional, a acelga é fonte de fibras, vitaminas A, C e K, além de minerais essenciais como cálcio, potássio e magnésio. Seu consumo está associado à promoção da saúde digestiva, fortalecimento do sistema imunológico e manutenção da saúde cardiovascular. A versatilidade culinária também contribui para sua popularização, permitindo o uso em saladas, refogados, conservas e pratos orientais.
Nas últimas décadas, a produção paulista de hortaliças passou por um processo de diversificação impulsionado pela expansão dos hábitos alimentares urbanos e pela influência de comunidades de origem asiática. Nesse contexto, a acelga deixou de ser uma cultura de nicho para ocupar espaço crescente nas propriedades familiares do cinturão verde, região que reúne cerca de 7.000 produtores e responde por parcela significativa do abastecimento de verduras consumidas na capital paulista.
A comercialização da hortaliça acompanha a força logística do mercado paulista. Em 2024, a Ceagesp movimentou mais de 3 milhões de toneladas de produtos hortigranjeiros, consolidando-se como principal canal de distribuição para verduras produzidas no entorno da capital. Embora represente uma fração desse volume, sua presença constante entre os produtos comercializados demonstra a estabilidade da demanda e o crescimento do interesse dos consumidores por alimentos saudáveis e de origem vegetal.
“Comecei na produção de acelga buscando diversificar a produção de hortaliças e atender à demanda do mercado. Com o tempo, fui adquirindo experiência na cultura e percebendo sua importância tanto para o consumo interno quanto para pratos tradicionais de outras culturas, como o kimchi, muito consumido na Coreia do Sul”, explicou Francisco Sulino, produtor de Ibiúna, cidade que responde por mais de 70% da hortaliça comercializada no Ceagesp.
Além da importância econômica e nutricional, a acelga carrega forte valor cultural. Ela é o principal ingrediente do kimchi, tradicional conserva fermentada considerada patrimônio gastronômico da Coreia do Sul. O aumento do interesse dos brasileiros pela culinária asiática e pelos alimentos fermentados impulsionou o consumo da hortaliça nos últimos anos, abrindo novas oportunidades para os produtores paulistas. Dessa forma, reforça sua posição como uma cultura estratégica para a diversificação da horticultura paulista e para a oferta de alimentos saudáveis à população.
O Kimchi
O kimchi é um dos alimentos mais emblemáticos da Coreia e sua origem remonta há mais de 2.000 anos. Surgiu como uma forma de conservar vegetais durante os rigorosos invernos da Península Coreana, quando o acesso a alimentos frescos era limitado. Em 2013, a prática do Kimjang foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Inicialmente, o kimchi era preparado apenas com vegetais salgados e fermentados. O ingrediente que hoje lhe confere a característica cor vermelha — a pimenta vermelha (gochugaru) que pode ser substituída por pimenta dedo de moça amassada — só passou a ser utilizado após sua introdução na Coreia, por volta dos séculos 16 e 17. A partir daí, surgiram as versões mais conhecidas atualmente.
Importância cultural
Na Coreia, o kimchi é muito mais do que um acompanhamento:
- Está presente em praticamente todas as refeições.
- É considerado um símbolo da identidade nacional coreana.
- Existem centenas de variedades regionais.
- O preparo coletivo do kimchi para o inverno, conhecido como Kimjang, é uma tradição familiar e comunitária.

A chef
Suzana Cho e a família são proprietários do Seok Joung Restaurante, no bairro Bom Retiro, São Paulo, desde 2001. Quando criança, morava em São Bernardo do Campo, e a casa foi o primeiro lar de muitos imigrantes coreanos que chegavam ao Brasil em busca de uma nova vida. A mesa estava sempre cheia, não apenas de comida, mas também de amizade, acolhimento e esperança. Em uma época em que a comunidade coreana ainda estava se formando no Brasil, a casa da família da chef era um ponto de encontro onde todos tinham apoio, companhia e o conforto de uma refeição preparada com carinho.




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