Economia brasileira inicia 2026 sob maior cautela
Indicadores de atividade econômica apontam avanço moderado em um ambiente macroeconômico desafiador

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,6% em fevereiro, na série com ajuste sazonal. O resultado foi impulsionado principalmente pela indústria (+1,2%), seguida pelos serviços (+0,3%) e pela agropecuária (+0,2%). Esse desempenho ocorre em um contexto de menor expectativa de expansão do PIB nacional, de 1,85% para 2026. O PIB do estado de São Paulo, por sua vez, deve crescer 0,7% este ano, segundo a Fundação Seade, menor do que o crescimento de 1,2% de 2025.
No campo inflacionário, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,14% em 12 meses até março, permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta. Na comparação mensal, o índice avançou 0,88%, acima dos 0,70% registrados em fevereiro, com elevação em todos os grupos. As maiores variações vieram de Transportes (+1,64%) e Alimentação e bebidas (+1,56%), com destaque para o aumento dos combustíveis (+4,47%), especialmente a gasolina (+4,59%), e para alimentação no domicílio (+1,94%).
Indicadores antecipadores sinalizam manutenção das pressões inflacionárias: o IC-Br avançou 4,72% em março, com forte alta no componente de energia (+25,02%) e elevação de 2,11% no segmento agropecuário. O comportamento de energia reflete, em grande medida, o aumento das incertezas externas, especialmente as tensões no Oriente Médio, que contribuíram para a elevação dos preços do petróleo para patamares acima de US$ 100 por barril, com impactos sobre custos logísticos e cadeias de suprimento.
Em um ambiente marcado por incertezas globais, o real vem apresentando apreciação, com a cotação média do dólar em R$ 5,23 em março e recuo para abaixo de R$ 5,00 em meados de abril, nível não observado desde março de 2024, indicando uma reavaliação dos riscos pelo mercado.
No mercado de trabalho, houve alta da taxa de desocupação, que atingiu 5,8%, interrompendo trajetória de queda dos meses anteriores. Ainda assim, o indicador encontra-se abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025. O rendimento médio real habitual atingiu R$ 3.679, o maior da série histórica, contribuindo para a expansão da massa de rendimentos, que somou R$ 371,1 bilhões. Apesar do aumento da renda, o endividamento das famílias permanece elevado, atingindo 49,7% da renda acumulada em 12 meses em janeiro de 2026, próximo ao pico histórico de 2022, o que segue como fator de atenção para o consumo doméstico.
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