Comissão debate acontecimentos recentes do Consecana-SP
Objetivo foi buscar entendimento e atualização sobre fatos para orientar rede sindical

A Comissão Técnica de Cana-de-Açúcar e Bioenergia da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) reuniu-se em reunião extraordinária, nesta quarta-feira (17), para discutir o estágio das negociações da revisão do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol (Consecana-SP). O entendimento sobre os pontos de divergências que levaram três associações regionais de fornecedores de cana (Piracicaba, Capivari e Araraquara) a assinarem um memorando de entendimentos com a União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bionergia (Unica), também esteve em pauta.
Para o coordenador da Comissão, Nelson Perez Junior, o impasse entre Unica e a Organização de Associação de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) reflete tensões estruturais na cadeia sucroenergética brasileira no que diz respeito, especialmente, à distribuição de valor entre indústrias e produtores. Na prática, restam diferenças em relação a metodologia e sua aplicação.
“É importante entender que há questões regionais de mercado que irão interferir no valor pago pela cana. Temos que buscar o diálogo, a construção de pontes, apoiar e reforçar as entidades e sindicatos para negociarem melhores valores para os produtores”, ressaltou Nelson Perez Junior, ao lembrar que muitos produtores já recebem algum tipo de benefício no contrato e que, muito provavelmente, este valor deva superar o índice técnico de correção apurado no estudo da FGV.
Luiz Henrique Scabello, membro da Comissão e presidente da Associação de Fornecedores de Cana de Araraquara (Canasol), comentou sobre o memorando de entendimentos, as premissas técnicas e os critérios de elegibilidade para cálculo do preço da tonelada da cana. “O memorando não substitui o Consecana, ele visa assegurar, entre outros pontos, a estabilidade institucional na apuração dos indicadores de remuneração e a continuidade dos fluxos de pagamento aos fornecedores de cana durante o período de transição, sendo que cada usina e cada produtor estão livres para negociar indivualmente a classificação e mensuração dos prêmios. Tão logo se chegue a uma solução para o impasse do Consecana, com seu restabelecimento regular, o memorando será extinto”, destacou em sua fala.
Na avaliação de Bruno Garcia, membro representante pelo sindicato rural de Ibirarema, presidente da Associação Rural dos Fornecedores e Plantadores de Cana do Vale do Paranapanema (Assocana) e que também é diretor da Orplana, a questão técnica em torno da revisão do Consecana foi bastante prejudicada pela questão política, porém as negociações continuam, com uma nova proposta vinculada no último dia 15/12, remanescendo em discussão a forma de aplicação, se o valor do reajuste será incorporado na fórmula ou no preço, qual o ajuste exato e quem deverá receber.
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, que participou da reunião, disse que é preciso trabalhar para garantir melhores condições para o homem do campo, que já terá um ano difícil em 2026. Salientou que a reforma tributária será complexa e não se pode deixar que produtores, que não participam de associações, mas são sindicalizados, fiquem à margem das informações.
“Precisamos lutar para que eles também estejam a par de tudo o que está acontecendo nessa mesa de negociação.O diálogo promovido hoje nos permitiu ter uma compreensão mais abrangente e transparente das posições e dos fatos em andamento, entre outras informações futuras que a Faesp irá buscar para orientar os produtores. Temos que garantir uma comunicação clara e acessível para que todos os produtores entendam as informações e possam tomar suas decisões com mais assertividade e segurança.
Participaram da reunião, além de integrantes da Comissão Técnica e do presidente da Faesp, Tirso Meirelles; o diretor secretário, Márcio Vassoler; o gerente do departamento técnico e econômico, Cláudio Brisolara; e a assessora técnica Érica Barros.
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