Programa de Florestamento promove recomposição de APPs em Cajuru e Mirante do Paranapanema
Programa de nove meses ajuda na regularização ambiental, na recomposição de áreas degradadas por incêndio e promove conhecimento ecológico

Pela segunda vez o município de Cajuru, no nordeste do Estado de São Paulo, recebeu o Programa de Florestamento – Recomposição da Área de Preservação Permanente. Com o objetivo de capacitar pequenos produtores e trabalhadores rurais na montagem de viveiro, plantio de semente e desenvolvimento de mudas nativas que serão utilizadas na recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs), o programa também atende necessidades urgentes, como é o caso dos incêndios na região em 2024.
Ana Laura Esper, coordenadora do sindicato rural da cidade, explica que em razão do evento no ano passado e de quatro anos atrás, a necessidade do Programa de Florestamento foi imperativa e urgente, dadas as grandes perdas nas propriedades.
Durante o curso, os instrutores técnicos do Senar-SP visitam as áreas onde será realizada a recomposição vegetal e verificam se o espaço atende a todos os requisitos necessários. No local, os proprietários recebem orientações sobre como preparar os viveiros com as sementes para a produção de mudas.
O programa tem duração de nove meses e neste ano 14 participantes concluíram todos os módulos. Ao final, foram produzidas 8.000 mudas. Uma parcela delas é plantada na propriedade que sediou o curso e dividida entre os demais alunos.
José Manoel Zago, instrutor do Senar-SP, explica que apesar do caráter legal (o programa foi instituído para atender ao CAR – Cadastro Ambiental Rural), quem participa sai com um melhor entendimento do meio ambiental, de como se dá a restauração de uma área degrada por incêndios, os impactos em promover a biodiversidade e consequentemente a geração de um controle biológico natural.
“O resultado de ver as mudas crescerem e transformarem-se é diferente de cursos pontuais e cujos resultados pelas próprias culturas acontecem em semanas ou meses. Aqui há um trabalho que visa a regularização ambiental e que trará ganhos que serão percebidos após alguns anos, mas cujo impacto é enorme, onde ganham a natureza, os animais e a sociedade”, explica ele.
Maneco Zago, como também é conhecido, afirma que transmitir esses conhecimentos é uma de suas missões. Por isso, além de biólogo e agrônomo, tornou-se comunicador com o podcast RuralCampoCast para promover a compreensão e um melhor entendimento das pessoas sobre assuntos de ecologia e agricultura regenerativa.
O QUE É O CADASTRO AMBIENTAL RURAL?
O CAR é um registro público eletrônico declaratório, obrigatório para todos os imóveis rurais.
A inscrição do CAR no SICAR/SP é o primeiro passo para a regularização ambiental da sua propriedade, como dispõe o Código Florestal (Lei 12.651/2012)
Uma vez validadas as informações declaradas no CAR, fica identificadas as Áreas Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal que devem ser protegidas e /ou recompostas, bem como as áreas de Uso Restrito e consolidadas existentes na propriedade
POR QUE O CAR É IMPORTANTE PARA MINHA PROPRIEDADE?
O CAR e a adimplência com as etapas de regularização ambiental condicionam diversas atividades relacionadas ao imóvel rural, tais como: operações de registro de imóveis, licenciamento ambiental e fiscalização; financiamento, crédito e/ ou fomento junto a instituições públicas ou privadas.
O Recibo de Inscrição do CAR no SICAR/SP e o Demonstrativo das Informações Declaradas atestam a localização da produção; a conformidade com as etapas da regularização ambiental e o atendimento ao Código Florestal.
MIRANTE DO PARANAPANEMA
Edson Aparecido de Lima, um ex-militar que serviu no município sul-mato-grossense de Aquidauana de 1993 a 1999, resolveu regressar a Mirante do Paranapanema para ajudar seu pai, que morava no assentamento São Bento.
Sua percepção sobre a região e a proteção ambiental que poderia ser estabelecida no local foi aumentando com o passar dos anos e a perda de flora. O ponto de virada foi presenciar que a mina d’água do rio Borboleta foi sumindo diante de fenômenos naturais, mas, sobretudo, pela ação errada dos homens ao não cuidar da terra.
Em 2023, tomou conhecimento do Programa de Florestamento do Senar-SP e decidiu fazê-lo com o intuito de ajudar a recuperar o rio e áreas degradadas no assentamento onde mora.
“Eu estava trabalhando com produção de leite, mas nos últimos anos tornou-se inviável. O custeio e os preços pagos ao produtor entraram numa defasagem muito grande”, conta Edson.
“À medida que os módulos foram sendo aplicados minha esposa e eu descobrimos que trabalhar com mudas poderia nos dar melhores condições de vida e ainda ajudaríamos no reflorestamento da região do Pontal do Paranapanema.”
Ele conta que ainda não está na fase do lucro, mas que a parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) ajudou a alavancar a produção a ponto de contratar dois colaboradores. Do final do programa, em novembro de 2023, para 2024, foram plantadas mais 10 mil novas mudas.
A parceria com o IPÊ multiplicou por 10 sua produção em um ano. Já para julho do próximo ano tem o compromisso com o instituto de entregar outras 250 mil mudas.
“É claro que há uma mudança em curso. Quero dar uma educação melhor aos meus filhos, estou conseguindo ajudar a região em que moro, mas há muito mais nisso tudo. Agradeço ao Senar-SP, à instrutora Flávia Moreira e à coordenadora do Sindicato Rural de Mirante do Paranapanema, Ione Gomes Teixeira, pela ajuda e por atenção. Toda essa rede foi fundamental para o que estamos realizando”, afirma o ex-militar.
Galeria
Sindicato Rural de Cajuru







Sindicato Rural de Mirante do Paranapanema







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