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Pleito da Faesp por leilões de PEP e PEPRO para a laranja é atendido

28 de agosto, 2026 - por FAESP

Governo federal autoriza R$ 10 milhões em subvenção econômica para a safra 2026/2027, com preço mínimo de R$ 28,76 por caixa

A citricultura paulista conquistou um importante instrumento de proteção diante da forte queda das cotações da laranja. O governo federal estabeleceu os parâmetros para a concessão de R$ 10 milhões em subvenção econômica para a laranja in natura da safra 2026/2027, por meio de leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (PEPRO) e Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O preço mínimo foi fixado em R$ 28,76 por caixa de 40,8 quilos. Poderão participar produtores rurais e cooperativas, por meio do PEPRO, e indústrias de processamento, pelo PEP. A previsão da Conab é de que os leilões aconteçam no dia 03 de setembro.

A medida representa uma importante conquista da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), que vinha defendendo a adoção urgente desse mecanismo para assegurar melhores condições de remuneração aos citricultores. Em maio, a entidade encaminhou ofícios ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e à Conab, solicitando a liberação de recursos para a realização dos leilões diante da grave crise de preços enfrentada pelo setor. Nos documentos, a Faesp destacou que o preço mínimo passaria de R$ 28,44 para R$ 28,76 na safra 2026/2027, enquanto os valores efetivamente praticados no mercado paulista já estavam próximos de R$ 25 por caixa, com perspectiva de novas desvalorizações.

O alerta da Federação foi respaldado por estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico da Faesp a partir de dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). A análise identificou forte reversão das cotações após o pico registrado em outubro de 2024: entre outubro daquele ano e abril de 2026, a taxa média de variação mensal dos preços foi de -6,7%. Entre 2 de abril e 19 de junho de 2026, o preço recebido pelos citricultores ficou abaixo dos R$ 28,76 estabelecidos para a nova safra, chegando a R$ 24 por caixa.

A adoção dos leilões ganha ainda mais relevância diante do peso econômico e social da citricultura paulista. São Paulo responde por aproximadamente 77% da produção brasileira de laranja e emprega 43.655 trabalhadores formais, equivalentes a 73,6% dos ocupados na citricultura nacional e a cerca de 13% da mão de obra formal da agropecuária paulista. A laranja representa ainda aproximadamente 9% do Valor Bruto da Produção (VBP) das lavouras e 6% do VBP total da agropecuária estadual. Além da retração dos preços, os produtores vêm enfrentando aumento dos custos e os impactos do greening, que provoca perdas nos pomares, eleva as despesas de produção e compromete a rentabilidade. Por isso, a Faesp defendeu que os leilões são fundamentais para garantir condições mínimas de sustentabilidade econômica aos produtores e preservar milhares de empregos da cadeia citrícola.

Para ampliar o acesso dos produtores ao mecanismo, a Faesp também disponibiliza orientação sobre a participação nos leilões PEPRO. O manual publicado em maio foi originalmente elaborado para produtores de borracha natural, mas seus procedimentos podem servir de referência aos citricultores, mediante as adaptações necessárias à atividade.

Recomenda-se que produtores e cooperativas acompanhem a publicação dos editais e das datas dos leilões pela Conab e a Federação reforça que continuará atuando para que os instrumentos da política agrícola cheguem efetivamente ao produtor rural, especialmente em períodos de forte desequilíbrio entre preços e custos.

Para acessar o manual elaborados pela Faesp, clique aqui.

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